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Olaria Romana da Quinta do Rouxinol

Em 1986, na Quinta do Rouxinol, em Corroios, quando os serviços da Câmara Municipal do Seixal procediam à abertura de uma vala, tendo em vista a construção de um emissário de esgoto, foi detetada e identificada pelos serviços do Ecomuseu Municipal, a estrutura de um milenar forno romano.

Feitas as escavações, em colaboração com o Centro de Arqueologia de Almada, durante os verões de 1986 a 1990 pôr-se-iam a descoberto 2 fornos de planta circular com aproximadamente 2,5 metros de diâmetro e respetiva fossa de desperdícios, pertencentes a uma olaria romana datada entre a segunda metade do século II e a primeira do século IV.

Produziam-se neste fornos, para além da louça comum, jarros, malgas, potes ou taças, e também as tão características ânforas que se destinavam a fazer o transporte de produtos diversos para o vasto império.

O espólio recolhido nas escavações, após restaurado e classificado, encontra-se exposto no Núcleo Sede do Ecomuseu Municipal do seixal, tendo sido o conjunto arqueológico classificado de monumento nacional.

No seu conjunto, este espólio constitui uma das mais importantes coleções de cerâmica romana do nosso país, ilustrando profusamente o papel que a olaria do Rouxinol terá desempenhado, no abastecimento local, a Olisipo (Lisboa) e aos vários centros conserveiros da região.

Quinta de S.  Pedro
A Extensão do Ecomuseu Municipal do Seixal na Quinta de S. Pedro, localizada na proximidade do núcleo urbano de Corroios, integra sítio arqueológico onde o Serviço de Arqueologia do Ecomuseu realizou campanhas de escavação arqueológica entre 1994 e 2006.

Perdida a importância agrícola que teve até cerca de 1950 e quase esquecidos os seus usos sociais, a Quinta de S. Pedro foi, como muitas outras no concelho, invadida por uma urbanização a partir de 1993. Resistiu apenas a antiga zona residencial e a sua envolvente mais próxima, integradas no domínio público municipal e posteriormente cedidas pela autarquia ao Agrupamento 585 do Corpo Nacional de Escutas, que aí mantém a sua sede. As terraplanagens, contudo, atingiram e destruíram parte substancial de uma necrópole medieval-moderna (séculos XIII a XVIII) associada à antiga ermida da Quinta, desencadeando um processo de investigação histórica, arqueológica e antropológica que envolveu parcerias do Ecomuseu com o Centro de Arqueologia de Almada e com o Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra.

Foram identificados 115 enterramentos e mais de uma centena de outros indivíduos em ossários, o que constitui uma das maiores séries antropológicas em estudo para contextos portugueses, com a particularidade de remontar ao reinado de D. Afonso III (1248-1279), em plena I.ª Dinastia, e atestar práticas funerárias bem mais antigas do que as registadas nas fontes documentais.